3 de mar de 2012

DO PROTOCOLO DE KYOTO (1997) À COPENHAGUE (2009)

O Protocolo de Kyoto constitui-se de um tratado internacional com compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases que provocam o efeito estufa, considerados, de acordo com a maioria das investigações científicas, como causa do aquecimento global.
Por ele se propõe um calendário pelo qual os países desenvolvidos têm a obrigação de reduzir a quantidade de gases poluentes em, pelo menos, 5,2% até 2012, em relação aos níveis de 1990. Os países signatários terão que colocar em prática planos para reduzir a emissão desses gases entre 2008 e 2012.
A redução das emissões deverá acontecer em várias atividades econômicas. O protocolo estimula os países signatários a cooperarem entre si, através de algumas ações básicas:
  • Reformar os setores de energia e transportes;
  • Promover o uso de fontes energéticas renováveis;
  • Eliminar mecanismos financeiros e de mercado inapropriados aos fins da Convenção;
  • Limitar as emissões de metano no gerenciamento de resíduos e dos sistemas energéticos;
  • Proteger florestas e outros sumidouros de carbono.
Os Estados Unidos da América negaram-se a ratificar o Protocolo de Kyoto, de acordo com a alegação do presidente George W. Bush de que os compromissos acarretados pelo mesmo interfeririam negativamente na economia norte-americana.
A Casa Branca também questiona o consenso científico de que os poluentes emitidos pelo Homem causem a elevação da temperatura da Terra.
Mesmo o governo dos Estados Unidos não assinando o Protocolo de Kyoto, alguns municípios, Estados (Califórnia) e donos de indústrias do nordeste dos Estados Unidos já começaram a pesquisar maneiras para reduzir a emissão de gases tóxicos — tentando, por sua vez, não diminuir sua margem de lucro com essa atitude.
Quem faz parte?
• União Européia: Seus quinze membros são as maiores vozes a favor desse acordo.
• China: Segundo maior emissor de gases-estufa do planeta, tem reduzido muito suas emissões de dióxido de carbono na atmosfera. Não tem meta de emissão a cumprir, mas os americanos querem que adote compromissos de redução.
• Austrália: Faz parte do "Umbrella Group", (integrado, ainda, por Canadá, Noruega, Japão e Nova Zelândia), conjunto de países que se aliaram aos EUA em conversas climáticas.
• Rússia: Colapso econômico pós-União Soviética fez com que o terceiro maior emissor não precisasse reduzir suas descargas.
• Japão: País em cuja antiga capital Kyoto foi assinado o protocolo. Tem uma posição duvidosa, mas apóia o tratado.
• Kiribati: Maior interessado no Protocolo de Kyoto, o arquipélago está ao nível do mar e vai desaparecer se as águas subirem.
O que é o efeito estufa?
Buracos na camada de ozônio provocado pela emissão de gases poluentes, que fazem com que os raios ultravioleta do Sol penetrem na atmosfera, aquecendo a Terra. Esse calor fica retido, acumulando um bocado de gases – entre eles, o dióxido de carbono – provocando um super aquecimento e danos na saúde.
O que isso causa?
• Seca: queda na produção agrícola pode levar mais fome ao Terceiro Mundo. A degradação do solo irá piorar e regiões equatoriais irão virar desertos.

• Inundações: Aumento de tempestades no norte e oeste da Europa. Países como Bangladesh - onde a maior parte do país está a menos de um metro do nível do mar sofrem com mais enchentes.

• Temperatura noturna: Aumentando mais rápido que a diária desde 1950.

• Doenças: População de insetos deve aumentar, à medida que a temperatura se torne mais quente e úmida. Casos de diarréia e infecção alimentar devem aumentar.

• Temperatura da superfície do oceano e do ar: Subirá 1.4ºC a 5.8ºC no próximo século.

• Nível do mar: Poderá subir até 88 cm em 2100.

• Recuo da camada de gelo: Derretimento de geleiras continentais contribui para elevar o nível do mar. Um iceberg com quatro vezes a área de Long Island se separou da camada de gelo da Antártida.  
O Protocolo de Kyoto entra em vigor
O Protocolo é um passo importantíssimo pra diminuir a poluição do ar e, conseqüentemente, combater o aquecimento da Terra. O pacto foi assinado há quase oito anos e só saiu do papel depois da adesão da Rússia. A maioria dos países assinou o documento, inclusive o Brasil.

O protocolo foi assinado por 141 países, mas grandes poluidores do planeta ficaram de fora, como os Estados Unidos e a Austrália.

Ecologistas fizeram manifestações em vários países. Em Sidney, na Austrália, os manifestantes fizeram esculturas de gelo, que depois derreteram. Uma forma de mostrar o que pode acontecer nas calotas polares se a temperatura da Terra aumentar.

Na China também houve protestos. Os chineses estão fazendo um abaixo-assinado para ser enviado as Nações Unidas.

Os japoneses usaram bom humor: manifestantes fantasiados de ursos polares dançaram e depois distribuíram doces.

Em Brasília foram plantadas várias mudas de árvores brasileiras e de outros países que vão compor o chamado "Bosque de Kyoto". Em frente ao consulado dos Estados Unidos em São Paulo manifestantes levaram faixas de repúdio ao governo americano.

Há duas dificuldades para alcançar as metas do Protocolo de Kyoto: nenhum país quer frear o crescimento da economia e é difícil mudar velhos hábitos.
Os americanos gastam, em média, uma hora e meia por dia parados no trânsito, queimando combustível e lançando, no ar, dióxido de carbono - um dos gases responsáveis pelo efeito estufa.

Os americanos são responsáveis por 25% da emissão de gases que estão se acumulando na atmosfera e ameaçam a Terra de enfrentar temperaturas mais elevadas.

Mas os Estados Unidos decidiram não participar do tratado de Kyoto. O acordo, assinado em 97, exige que os países industrializados joguem menos gases no ar. Nos próximos sete anos, as emissões têm que ficar em 5% abaixo dos índices registrados no ano de 90.

Os países da Europa, a Rússia e o Japão aceitaram o desafio. Países em desenvolvimento, como Brasil, China e Índia, foram poupados - por enquanto.
Mas já são grandes poluidores. A China só perde para os Estados Unidos e o Brasil está entre os seis países que mais emitem gases-estufa no ar.
O Tratado de Kyoto, como lembra o especialista da ONU Mohammad Reza Salamat é apenas o primeiro passo.

Para combater o efeito estufa, os cientistas dizem que, em vez de reduzir as emissões em 5%, o mundo precisaria fazer um corte radical, de 60%. Por isso, o tratado vai entrar em vigor enquanto o mundo já discute que medidas mais profundas devem ser adotadas quando ele expirar, dentro de sete anos.
Para o economista Jeffrey Sachs, vai ser preciso encontrar um equilíbrio: “é preciso respeitar a necessidade de crescimento dos países de renda média, mas também a obrigação que todos nós temos em reduzir a emissão de gases-estufa e assegurar que os países ricos paguem o preço deste esforço."
ECO-92

Em 1972, em Estocolmo, Suécia, realizou-se a 1ª. Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente e foi considerada o principal evento a dar início, em caráter internacional, ao movimento ecológico que hoje aí está.

A Assembléia Geral das Nações Unidas decidiu, em 1989, realizar a 2ª. conferência, vinte anos depois, em 1992, e entre os candidatos a sediá-la sobressaiu-se o Brasil que viu, aí, a oportunidade de demonstrar ao mundo, como país em desenvolvimento, que também se preocupava com a causa ecológica.

Entre os eventos da ONU (Organização das Nações Unidas), a Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente destaca-se como evento de primeira grandeza e dessa forma, comparecerão a ela diversos Chefes de Estado, Ministros e outras altas personalidades dos países membros.

A Conferência, no Rio de Janeiro, em junho de 1992 contou com cerca de 150 delegações estrangeiras e mais de 3000 participantes, entre técnicos, cientistas e jornalistas e teve a duração de duas semanas.

Comitês Preparatórios da Conferência vieram de Nova Iorque, Nairobi e Genebra, bem como, organizações governamentais e não governamentais que forneceram aos Comitês Preparatórios elementos a serem ajustados e agrupados.

Tal qual o documento final proposto em 1972, quando o delegado brasileiro foi o Ministro José da Costa Cavalcanti, houve em 1992 outro documento na forma de Declaração.

O evento em 1992 repassou tudo o que ocorreu de 1972 para cá, inclusive protocolos assinados entre as datas, como, por exemplo, o de Montreal, em 1987, relativo à proteção da camada de ozônio.

Além disso, foram assinadas um sem número de resoluções envolvendo, entre outros assuntos, a qualidade da água, a proteção dos mares, o desmatamento, os rejeitos, o clima do planeta, o saneamento e a cessão de tecnologia.

Em resumo, a proteção ao Meio Ambiente foi repensada em termos de maiores compromissos, visando a preservação do planeta Terra para as gerações futuras.

Sem consenso em Copenhague, ambientalistas e líderes já falam na COP-16, no México
MAURÍCIO KANNO

No início da 15ª Conferência sobre Mudança Climática (COP-15), em Copenhague, na Dinamarca, circulava uma piada sobre um possível apelido para ela. Seria "Hopenhague", lembrando o termo em inglês "hope" (esperança), ou "Flopenhague", lembrando "flop" (fiasco)?

Nesta sexta-feira (18), após duas semanas de discussões, o mundo ficou sem esperanças em um acordo legal e vinculativo. ONGs consultadas pela Folha Online já olham adiante: resta à conferência de Copenhague facilitar um acordo real para a conferência seguinte, no México, em 2010, que será a COP-16.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, adiantou-se em divulgar que a chanceler alemã, Angela Merkel, organizará negociações em Bonn, no prazo de "seis meses", para preparar a próxima conferência sobre o clima, no México, no final de 2010.

Segundo Aron Belink, coordenador-executivo no Brasil da coalizão de ONGs TicTacTicTac, criada justamente para pressionar por acordo em Copenhague, há um diferencial entre a COP-15 e a ECO-92, que aconteceu antes da primeira COP, em 1995, em Berlim: "Antes a problemática era muito menos tangível, havia menos dados, as pessoas estavam menos comprometidas e engajadas."

Para Belink, "ao menos algum alinhamento entre os líderes reunidos agora pode facilitar para destravar um acordo em 2010", em uma reunião que pode até ser adiantada para antes de dezembro.
"Apesar de ter ficado decidido há dois anos, em Bali [Indonésia, COP-13], que seria buscado um acordo em Copenhague agora, durante esse tempo os países em geral não deram a devida importância para o assunto", comenta Belink.

Conforme relataram os enviados especiais da Folha Claudio Angelo e Luciana Coelho, a última reunião de hoje na qual Brasil, China, Estados Unidos, África do Sul e Índia discutiram as metas climáticas --ou a falta delas-- terminou sem consenso.

COPs anteriores
A primeira Conferência das Partes da ONU sobre o clima (COP-1) foi realizada em 1995, em Berlim. Nela foram definidos compromissos legais de redução de emissões, que fariam parte do Protocolo de Kyoto.

O tratado foi assinado em 1997 em Kyoto, no Japão. O acordo entrou em vigor em 2005, pelo qual 37 nações industrializadas se comprometem a reduzir suas emissões de seis gases-estufa em 5,5% em relação aos níveis de 1990 até 2012.

O objetivo da conferência de Copenhague era justamente conseguir um acordo climático para valer depois que o Protocolo de Kyoto expirasse, além de melhorá-lo. Agora o prazo fica ainda mais apertado.

Na América Latina, além do México, em que está programada a COP de 2010, aconteceram conferências climáticas duas vezes em Buenos Aires, na Argentina: foi a COP-4, em 1998; e a COP-10, em 2004.

No Brasil, aconteceu a ECO-92, que firmou o caminho para as futuras conferências climáticas e importantes documentos ambientais internacionais. Inclusive para assuntos não necessariamente climáticos, como a Agenda 21.

"Desde a ECO-92, no Rio de Janeiro, não se via tantos líderes mundiais presentes em uma reunião climática como agora", avalia Sérgio Leitão, diretor de campanhas do Greenpeace.

Com base nos textos apresentados e através de pesquisas aprofundadas, analisar se houve ou não evolução desde a implantação do Protocolo de Kyoto em 1997 em relação ao Encontro em Copenhague em 2009. Quais os fatores que contribuíram ou não para essas mudanças? Por que a resistência de países de primeiro mundo em aceitar ou não o Protocolo de Kyoto? Essa pesquisa pode ser feita através da internet ou outras fontes que tragam resultados verídicos ao assunto estudado. 

26 comentários:

  1. Infelizmente não houve sucesso. Nenhum país quer frear o crescimento da economia, sendo difícil, portanto, mudar os velhos hábitos. Os Estados Unidos alega que se assumirem esse compromisso estarão prejudicando a economia e ainda questiona se realmente a emissão de gases eleva a temperatura da Terra. Segundo belink, "Os países em geral não deram a devida importância para o assunto. Não há um consenso entre eles.

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    1. Olha Meire, sucesso na prática você tem razão, não houve não. Justamente pelo interesse político e financeiro que de certa forma freariam o desenvolvimento do país, mas fica a pergunta: O que será que é melhor, um país se desenvolver agora, por um curto tempo, ou oferecer às futuras gerações a continuidade de um desenvolvimento mais lento e cauteloso e proporcionar uma qualidade de vida maior a essas gerações?

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  2. Apesar de nenhum deles passar nem ao menos perto de surtir o efeito que deveriam, há uma grande diferença entre o Protocolo de Kyoto e o COP-15.
    Kyoto possui um mandato legal que força as partes envolvidas no tratado a cumprirem suas metas, enquanto o COP-15 não possui mandato, é um tratado com dimensões voluntárias. O Protocolo de Kyoto, no entanto, possui pouquíssimos países legalmente participantes, uma vez que os EUA um dos maiores emissores, não ratificou o protocolo e os países do BASIC não fazem parte do anexo1. Desta forma, os níveis de diminuição são praticamente irrelevantes.
    COP-15 tem a participação dos países do BASIC, dos EUA, da UE, Japão e Canadá e poderia obter um bom resultado se não possuísse metas tão baixas. O que anima é que estes países estão unidos e com metas fixadas (mesmo sendo baixas).
    Acredito então, que houve sim uma evolução de 97 para 2009 na questão da união dos países e consciência de uma necessidade real de proteção ambiental, mas a evolução parou por aí, ficou somente nestes quesitos. Na prática, pouca coisa mudou, afinal, é um tratado voluntário, e estes países temem por suas economias. Há até quem não acredite nos dados apresentados pelos cientistas, como é o caso dos EUA.
    Talvez haja, também, a dificuldade normal que o ser humano sente frente ao novo, por puro comodismo. Afinal, com tanta tecnologia disponível, não seria possível ao menos melhorar o que já conhecemos?

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    1. Gostei desta visão. Apesar dos índices desfavoráveis, percebe-se uma preocupação e uma adesão maior em torno das discussões acerca da diminuição da emissão de gases poluentes. O problema está no binômio crescimento econômico x sustentabilidade.

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    2. Concordo com você, Érica. O comodismo, muitos pensam assim, tá bom do jeito que tá. Infelizmente a uma preocupação grande com o poder, em se tornar potência, são considerados países desenvolvidos aqueles que tem "poder", poder perante os outros países, poder perante a população, mas poder algum sobre uma preocupação com futuro desse povo, com o futuro desse planeta. Concordando com a Sônia, o problema realmente está entre o binômio crescimento econômico x desenvolvimento sustentável. Por um lado, os países desenvolvidos, ou tidos como de primeiro mundo temem pela perda do poder, pela perda do título de "potência mundial" e os países em desenvolvimento correm atrás de se tornar um país de primeiro mundo, ou desenvolvido, e essas ações levariam as empresas a um certo freamento no desenvolvimento da economia.

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  3. Parte 1
    No mundo capitalista o poder econômico, ou seja, o capital tem muita influência nas decisões dos países de uma forma geral.
    Segundo site da Revista Brasileira de Ciências Sociais (SciELO -Projeto FAPESP/BIREME/CNPq) um regime de mudança climática exige sempre a presença de pelo menos uma potencia econômica mundial que alavanque o processo e lidere e sustente o regime.
    Num primeiro momento, pela sua importância na economia e no ambiente global e pela eficiência de sua governabilidade, apenas três países (ou grupos econômicos) apresentam este potencial (Estados Unidos, União Européia e Japão).
    Os dados, a seguir, são indicadores econômicos desses países:
    • Proporção na população mundial (1999): China 21%, Índia 16,5%, União Européia 6,3%, Estados Unidos 4,6%, Indonésia 3,5%, Brasil 2,8%, Rússia 2,4% e Japão 2,1%.
    • Proporção na parcela do PIB mundial (por poder de compra, em 1999): Estados Unidos 21,3%, União Européia 20,5%, China 10,2%, Japão 8%, Índia 5,4%, Brasil 2,9%, Rússia 2,4%, Canadá 2,3%, Indonésia 1,3%.
    • PIB per capita (poder de compra em 1999): Canadá 31.000 dólares, Estados Unidos 29.200 dólares, União Européia 24.000 dólares, Japão 23.600, Brasil 6.500, Rússia 6.200, China 3.100, Indonésia 2.400 e Índia 2.100.
    • Parcela nas emissões mundiais de carbono (1999): Estados Unidos 24,5%, União Européia 14,5%, China 13,5%, Japão 6%, Rússia 5%, Índia 4,5%, Canadá 2,5%, Brasil 2,5% e Indonésia 1,5%.
    • Parcela da área florestal mundial (1995): Rússia 22%, Brasil 16%, Estados Unidos 6%, Canadá 5%, China 4%, Indonésia 3%, União Européia 2%, Índia 2%, Japão 0,7%.
    • Taxa de desmatamento médio anual (1990-1998): Indonésia 1,1%, Brasil 0,5%, China 0,1%, Rússia 0,1%, Índia 0,05%, União Européia 0%, Japão 0%, Canadá 0%, Estados Unidos aumenta sua área com florestas 0,3% ao ano.
    Os Estados Unidos, como se pode observar, é o único país que está incrementando anualmente uma área florestada e, por isso, tem defendido a inclusão dos sumidouros de carbono no cálculo total de emissões (Brown, Flavin e French, 2001).
    Os conflitos de interesse entre os países desenvolvidos, emergentes e pobres é um dos fatores determinantes na dinâmica das negociações no processo de estabelecimento do regime de mudança climática (Young, 1997; Claussen e McNeilly, 1998; Mueller, 1999).
    Nas democracias existe uma forte disputa interna de interesses e de valores, o que faz com que a posição de um país num momento específico da negociação resulte de uma coalizão que oscila de acordo com a definição da política do país no cenário internacional.
    As alianças e os blocos que se formaram desde a Conferência no Rio de Janeiro, em 1992, resultaram de disputas acirradas entre os países, de clivagens e de alinhamentos nacionais, internacionais e transnacionais (Viola, 1998).


    Bibliografia
    Brasileira de Ciências Sociais (SciELO) acesso em 09 de março de 12 às 23h23min. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69092002000300003

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  4. Parte 2

    O regime de mudança climática foi liderado pelos Estados Unidos e pela União Européia entre 1989 e 1991; pela União Européia entre 1991 e 1995; pelos Estados Unidos, União Européia e Japão entre 1995 e 1997; e, desde 1998, apenas pela União Européia. Os principais blocos formados (desde 1992) são (Clark, Van Eijndoven e Jaeger, 1998; Soroos, 1997; Vogler e Imbler, 1996; Wasson, 1997; Schelling, 1997):
    • Países desenvolvidos com alta intensidade de carbono por unidade de PIB e per capita(Estados Unidos, Canadá e Austrália). Nesses países, ocorre uma divisão de forças clara entre, de um lado, neoliberais e nacionalistas – contrários ao regime de mudança climática –, e, de outro, neosocialdemocratas e verdes – respectivamente, favoráveis de maneira moderada ao regime e fortemente favoráveis ao regime (Inglehart 1997). Os Estados Unidos encontram-se numa posição delicada, pois sua taxa de emissão de carbono em 1999 foi 14% superior à de 1990 (ano base para todos os países), e o compromisso assumido em Kyoto é diminuir 7% até 2010. No Canadá há uma defasagem similar.
    • Países desenvolvidos com média intensidade de carbono por unidade de PIB e per capita, orientados a assumir responsabilidades globais (Alemanha, Reino Unido, Holanda, Suécia, Dinamarca, Finlândia, França, Bélgica, Luxemburgo, Áustria e Itália). Nesses países predominam os neosocialdemocratas, fortemente favoráveis ao regime de mudança climática (Guidens 1998). Também os verdes constituem uma minoria forte, que pressiona no sentido de fortalecer o regime. O restante da União Européia (Espanha, Portugal, Grécia e Irlanda), embora tenha populações menos dispostas à redução de emissão, apóia a posição dos primeiros devido às compensações recebidas dentro da União. Reino Unido, Alemanha, Dinamarca e Suécia são os únicos países do Anexo Um que tinham, em 1999, emissões compatíveis a atingir os compromissos estabelecidos para 2010.
    • Países desenvolvidos com média intensidade de carbono, que têm dificuldades em reduzir sua emissão, seja porque já haviam reduzido bastante suas taxas antes de 1990 (Japão, Nova Zelândia, Noruega), seja porque possuam uma opinião pública com baixa responsabilidade global (Suíça, Islândia). O Japão assumiu o compromisso de reduzir as emissões em 6% até 2010, mas, em 1999, apresentou uma taxa 4% mais altas.
    • Países pertencentes à ex-União Soviética que sofreram uma drástica redução nas emissões de carbono (entre 40% e 60% mais baixas, em 1999, comparadas com 1990) pelo colapso da economia (Rússia, Ucrânia, Bielo-rússia, Bulgária, Romênia) e, em conseqüência, têm créditos no conjunto de compromissos assumidos. Nessas sociedades, predominam os nacionalistas ou neoliberais com posições favoráveis ao regime de mudança climática desde que seus respectivos países sejam favorecidos a médio prazo (até 2010/2020, aproximadamente) por meio do mecanismo de comércio de cotas, mas não apóiam políticas públicas nacionais que pretendam diminuir a intensidade de carbono de suas economias, muito alta por unidade de PIB. Já os neosocialdemocratas, presença minoritária com relativa força na Rússia, na Ucrânia e na Romênia, são favoráveis a políticas orientadas a diminuir moderadamente a intensidade em carbono da economia.
    • Países exportadores de petróleo (Arábia Saudita, Kuwait, Irã, Iraque, Emirados Árabes, Argélia, Líbia, Venezuela, Indonésia e Nigéria), com alta intensidade de carbono por unidade de PIB e alguns também per capita. Nesses países predominam os neoliberais, os nacionalistas, ou as coalizões entre estas facções, com posições neutras ou contrárias ao regime de mudança climática. Em algumas sociedades, como na Venezuela, constitui uma força política importante a presença minoritária dos neosocialdemocratas, que apóiam moderadamente o regime.

    Bibliografia
    Brasileira de Ciências Sociais (SciELO) acesso em 09 de março de 12 às 23h23min. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69092002000300003

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  5. Parte 3


    • Países emergentes com média intensidade de carbono por unidade de PIB derivada da matriz energética predominantemente de carvão e/ou petróleo (China, Índia, África do Sul e México) ou do excessivo desmatamento (Brasil, Tailândia, Malásia e Filipinas). Esses países, como um todo, apóiam os compromissos firmados no Protocolo de Kyoto em função dos benefícios imediatos advindos da implementação do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. No entanto, há diferenças de opinião entre os países-chave deste grupo. Na China e na Índia predominam as coalizões entre nacionalistas e neoliberais, contrários a assumir os compromissos de limitação das emissões de carbono até aproximadamente 2030. Eles são favoráveis ao regime somente em virtude da perspectiva de ganho com a implementação do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. Contudo, na Índia, por exemplo, existem fortes minorias verdes, favoráveis ao adensamento do regime de mudança climática. No Brasil e no México predominam coalizões entre neosocialdemocratas e neoliberais (com apoio de setores nacionalistas), moderadamente favoráveis ao regime. No Brasil, em particular, há uma importante minoria verde favorável a uma diminuição drástica do desmatamento na Amazônia (responsável por, aproximadamente, 1,8% das emissões globais de carbono, ao passo que o restante da economia brasileira produz apenas 0,7% das emissões globais), a assumir compromissos voluntários de redução da taxa de crescimento futuro das emissões e a adensar o regime de mudança climática.
    • Países emergentes com baixa intensidade de carbono (Argentina, Chile, Uruguai, Costa Rica, Coréia do Sul e Hungria). Igualmente ao grupo anterior, existe um apoio genérico ao Protocolo de Kyoto, em função do MDL. Nesses países, predominam coalizões entre neoliberais e neosocialdemocratas, moderadamente favoráveis ao regime. Além disso, os neosocialdemocratas são favoráveis a compromissos de redução por parte dos países emergentes. Em muitos desses países há uma presença minoritária dos verdes muito ativa que defende o adensamento do regime de mudança climática.
    • Países pobres (África subsahariana, Bangladesh, Bolívia, Honduras, Guatemala etc.), onde todos os setores da sociedade são favoráveis ao adensamento do regime tanto porque implica ganhos consideráveis advindos do Mecanismo do Desenvolvimento Limpo quanto porque dificilmente teriam compromissos de redução antes de 2050.
    • Pequenos Estados-ilhas (Fiji, Jamaica, Malta etc.), muito vulneráveis à mudança climática e onde o conjunto da sociedade é fortemente favorável ao adensamento do regime.

    Bibliografia
    Brasileira de Ciências Sociais (SciELO) acesso em 09 de março de 12 às 23h23min. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69092002000300003

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    1. Oi Otávio! Está muito claro que todos sabem da importÂncia de se reduzir as emissões de carbono. No entanto, quando se pensa nisso, é inevitável tocar na delicada questão de do crescimento econômico.

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    2. Olá Sônia e demais colegas de curso!
      Nesta parte do artigo que que postei fica claro que dentro das grandes potencias econômicas há uma divisão de correntes sobre aderir aos acordos sobre emissões de gases e mudanças climáticas. Se aprofundarmos mais veremos que as correntes são sempre as "capitalistas" que defendem o lucro em primeiro plano e as mais "democráticas"que colocam o bem estar e a ecologias em primeiro plano. Países desenvolvidos com alta intensidade de carbono por unidade de PIB e per capita, como Estados Unidos, Canadá e Austrália, ocorre uma divisão de forças clara entre, de um lado, neoliberais e nacionalistas – contrários ao regime de mudança climática –, e, de outro, neosocialdemocratas e verdes – respectivamente, favoráveis de maneira moderada ao regime e fortemente favoráveis ao regime.

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    3. Muito boa esta análise. Podemos entender bem como funciona a política nas decisões que envolvem meio ambiente. Da mesma forma ocorre no Brasil, quando se discute uma questão ambiental.

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  6. Do Protocolo de Kyoto (1997) até Copenhague (2009) não obtivemos nenhuma evolução significativa. As emissões dos países em desenvolvimento cresceram muito nos últimos dez anos (1999/2009), particularmente aquelas provenientes da China e da Índia. Assim, apesar de todos os esforços realizados, principalmente pela União Europeia, atualmente o mundo emite mais do que na época do tratado. De lá para cá as emissões só aumentaram.
    Os países de primeiro mundo acreditam que a aceitação do Protocolo de Kyoto teria influência direta nas suas economias. Um dos fatores alegados pelo próprio EUA para a não ratificação do Protocolo de Kyoto foi a inexistência de metas obrigatórias de redução das emissões de gás carbônico para os países em desenvolvimento.
    Infelizmente a atenção dos países referente ao Protocolo de Kyoto parece ser bem pífia.

    Textos consultados:
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Protocolo_de_Quioto#O_aumento_das_emiss.C3.B5es_dos_pa.C3.ADses_em_desenvolvimento
    http://empresasnacop.com.br/index.php?r=noticias/view&id=161714

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  7. O Protocolo de Kyoto foi um tratado de compromissos para a redução da emissão dos gases que provocam o efeito estufa e o conseqüente aquecimento global. As metas de redução diferem entre os países, colocando níveis diferenciados para os países que mais emitem gases. Já os países em franco desenvolvimento como Brasil, México, Argentina e Índia não receberam metas de redução, mas foram estimulados a cooperar entre si com ações básicas de redução de emissão de carbono. Os Estados Unidos não ratificaram o Protocolo de Quioto, alegando a inexistência de metas obrigatórias de redução das emissões de gás carbônico para os países em desenvolvimento. Além disso, tanto os Estados Unidos como outros países, considerados grandes poluidores não assinaram, preocupados em não frear o crescimento de sua economia. Quanto ao acordo de Copenhague, o encontro foi conturbado e não houve um consenso entre os países que, em sua maioria estavam preocupados com o crescimento econômico, fator determinante para o aumento da emissão de gases poluentes. Sem um acordo definitivo, foram marcadas novas negociações para 2010 para que novas estratégias possam ser discutidas. A proposta da ONU foi tomar nota do acordo, acrescentando uma lista com os países que o apoiaram e, mesmo sem o consenso, que deve ser unânime, se propôs a operacionalizá-lo no que diz respeito à criação imediata de um fundo de financiamento para auxiliar os países mais pobres a lidar com os impactos da mudança climática. Num contexto de rápido crescimento econômico, principalmente das economias emergentes, o aumento das emissões de gás carbônico parece inevitável, além dos países que não assinaram o acordo, muitos não cumpriram as metas, frustrando as pretensões do Protocolo de Quioto.

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  8. O desejo de crescer economicamente, aumentar o PIB e a renda per capita muitas vezes leva países a relegar ao segundo plano a sustentabilidade. Sabemos que há muitas soluções sendo criadas com o objetivo de alinhar desenvolvimento econômico à preservação dos ecossistemas, mas ainda há muito que se fazer. O grande dilema está em atender as necessidades atuais da sociedade, sem comprometer a sobrevivência das futuras gerações.

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  9. Bom dia a todos...
    Compartilho parte do documento “As relações internacionais e os acordos do clima: entre o fomento ao Mercado do carbono e o combate ao aquecimento global” realizado em outubro de 2011 no IX Encontro Nacional da EcoEco.
    “ Em maio de 2011, a Agência Internacional de Energia (International
    Energy Agency - IEA) publicou relatório anual intitulado World Energy Outlook,
    no qual afirma que as emissões de gases do efeito estufa foram as maiores da
    história. Aliada a essa informação, uma declaração da Secretária Executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre mudança do clima, proferida no mês de junho de 2011, diz que é reconhecida a dificuldade de estabelecer novas metas de redução. De acordo com Avilla, em reportagem para o Instituto Carbono Brasil, a Secretária Executiva Sra. Christiana Figueres, reconheceu que não é esperado novo acordo de metas de redução até o término do período de compromisso firmado no Protocolo de Quioto. Um estudo realizado por Janet Redman, publicado em abril de 2008 pelo Instituto para Estudos Políticos, analisou o papel do Banco Mundial no
    mercado de carbono e concluiu que a preocupação central do Banco não está
    relacionada à preservação ambiental, mas ao fortalecimento do mercado de
    carbono.”
    Apesar de todas essas ações terem sido firmadas com a necessidade de se preservar o meio ambiente e frear a alteração climática sem prejudicar o desenvolvimento econômico, vejo que ao final ficamos apenas com as intenções e que o desenvolvimento econômico ainda define seus próprios caminhos. Defendo as ideias que buscam o desenvolvimento econômico, sem prejuízo ao meio ambiente, não fazendo trocas, mas ao se estipularem metas, fazê-las valer em seus acordos, verdadeiramente em prol das futuras gerações.

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  10. Luiz Rogério11/03/12 05:52

    Bom dia a todos, lendo alguns artigos sobre o tema podemos observar que em termos de legislação o assunto evoluiu muito, foram firmados acordos de cooperação, Leis especifícas sobre o assunto foram aprovadas,etc, porém tudo isso esbarra na questão econômica (freiar a produção) de alguns países, e principalmente na questão política,ou seja, na vontade política de fazer as coisas aconteceram, de se colocar em prática os acordos, de se fazer cumprir a legislação, os governantes assinam esses acordos por uma mera questão política. Falta a responsabilidade e a vontade para resolver o assunto, acredito que tenha sim uma maneira de se fazer cumprir os acordos e continuar crescendo economicamente, e principalmente preservando o planeta para futuras gerações. Outra questão importante e nos concientizarmos que cada um pode fazer a sua parte, é comum colocarmos a culpa no "governo", ou pensarmos que "não vou consegir mudar o mundo", se não conseguimos mudar a nós mesmos, o primeiro passo é a mudança em nossas ações, no meio em que vivemos, e torcer para que em um futuro próximo, os governantes façam a sua parte.

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    1. Tenha a certeza, se a população ficar esperando que o governo faça a parte dele (como em tudo esperamos, né?)e ficarmos de braços cruzados nunca chegaremos à lugar nenhum. Temos sim, que apesar de pequenas, tomarmos atitudes em relação ao meio ambiente. Se cada um souber no mínimo separar em casa os lixos orgânicos dos materiais reciclados já é um pequeno grande passo. Nessa semana vamos fazer um estudo da denominado PEGADA ECOLÓGICA onde poderemos analisar nossas atitudes em relação a preservação do planeta.

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  11. Como podemos observar, os países desenvolvidos, ou seja, aqueles que pelo Protocolo de Kyoto deveriam estar realizando ações para conter o aquecimento global e na realidade são os maiores poluentes, entre eles o EUA, parece que tem um certo receio de que outros países (subdesenvolvidos, ou em desenvolvimento) comecem a crescer, comecem a se desenvolver; será pelo temor dos EUA perder o posto de "TODO PODEROSO", pois é a única razão que vejo de estar tomando uma decisão dessas (de não aceitar programas de contenção de emissão de gases poluentes que causam o aquecimento global). Não vejo o porque de preocupar-se se os países em desenvolvimento estarão ou não programando ações de sustentabilidade. Ao meu ver, a preocupação existe sim, mas não passa apenas de preocupação. Ações enérgicas não foram tomadas. Olha só o exemplo da cidade de Boras, Suécia; em reportagem veículada na Revista Veja, em Dezembro de 2011, a cidade de Boras na Suécia foi eleita a cidade campeã de limpeza, o município reaproveita 99% de tudo o que joga fora e ganha tanto com isso que já está importa lixo da Noruega para poder gerar mais energia, confira na íntegra a reportagem:

    " A cidade de Boras, na Suécia, tem 105.000 habitantes, 1.500 indústrias e nem 1 grama de lixo. Seus resíduos tem três destinos: 42% são incinerados e convertidos em energia elétrica, 30% são tratados biologicamente e transformados em biocombustíveis e 27% são reciclados. A reciclagem é feita inteiramente pela população, que se encarrega de separar e levar o material até os postos de coleta espalhados por toda a cidade. Caminhões recolhem o lixo orgânico (em sacos pretos, destinados à obtenção de biogás em usina inteiramente automatizada) e o resto (em sacos brancos, incinerados em fornos não poluentes). Menos de 1% do lixo é enterrado, porque o imposto para usar o aterro é muito alto. O modelo foi iniciado em 1988, com 300 famílias, e é exportado - a universidade local presta assessoria de reaproveitamento de lixo a cidades do mundo inteiro, brasileiras inclusive (Macaé, no Rio de Janeiro e Sobral, no Ceará). Localmente, a experiência deu tão certo que falta lixo: o município hoje exporta lixo da Noruega para gerar mais energia limpa. E o esforço continua. O diretor da escola de engenharia da Universidade de Boras, Hans Bjork, diz: "Depois do lixo zero, nosso investimento agora é a eliminação total dos combustíeis fósseis."

    Será difícil outros municípios tomarem como exemplo a cidade de Boras, mas infelizmente o interesse político vai muito além da preocupação com o desenvolvimento de um planeta mais limpo, um planeta que se auto sustente.

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    1. Beto, considero a iniciativa da cidade de Boras um exemplo de que realmente é possível equacionar desenvolvimento e sustentabilidade. Gostei também da ideia de eliminação dos combustíveis fósseis. Preocupa-me a exploração do pré-sal no Brasil, pois pode gerar muito lucro a médio prazo e grandes consequências para as futuras gerações. O Brasil já está à frente de muitos países na produção e utilização de combustíveis renováveis (etanol)e agora, parece-me um retrocesso, embora dizer isso possa aprecer absurdo, já que o pré-sal está sendo tratado como a esperança de um Brasil mais rico. Realmente, uma situação difícil de ser pensada, mas já "resolvida" pelo poder público que acelera a exploração, segundo informações divulgadas pela Petrobrás.

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  12. O ritmo de implementação das ações previstas em Kyoto foi mais lento do que se esperava. Os países não signatários, para escaparem das pressões internacionais, investiram bilhões de dólares em busca de tecnologias mais limpas e por isso tem conseguido diminuir o ritmo de emissão de poluentes, enquanto alguns dos signatários aumentaram significantemente esse ritmo. Isso porque cumprir as metas de Kyoto exige um investimento de mais ou menos 150 bilhões de dólares anuais, e os países emergentes não dispunham de tal receita e não poderiam frear seu ritmo de desenvolvimento. Diante disso, Kyoto praticamente fracassou senão fosse a positividade do encontro para que o mundo olhasse melhor as questões ambientais.
    Agora o sucesso de Copenhague depende da adesão dos EUA, um dos maiores poluidores do mundo, embora a preocupação esteja voltada para os países emergentes. Os já desenvolvidos, ricos, devem ajudá-los a ter acesso mais rápido a tecnologia limpas.
    Não há dúvidas que essas mudanças climáticas são provocadas pelo estágio civilizatório humano, em especial as atividades industrial e de consumo.
    Os EUA, não assinou Kyoto para não gerar um impacto negativo na competitividade da economia Americana. É grande a influência da indústria automobilística e do petróleo sobre as decisões do governo.
    Há tempo de evitar as conseqüências mais negativas, mas não todas. A Terra já está aquecendo. Atitudes individuais promovem uma mudança no perfil de consumo e geram impacto ambiental positivo. Devemos buscar a máxima reciclagem de produtos e torná-los mais duradouros, paralelo a substituição da fontes de energia e a otimização no uso de transportes.
    O objetivo viável é evitar que a Terra se aqueça catastroficamente.

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  13. olá pessoal! bom dia!
    Acredito que tudo o que foi discutido e acordado desde o Protocolo de Kyoto (1997) até Copenhague (2009), entre muitos outros eventos paralelos e relacionados ao assunto buscam promover mudanças e iniciativas necessárias para o bem do nosso planeta, não apenas o benefício de poucos. Tudo que foi realizado até hoje é de suma importância, pois tudo na vida é um processo e, as ações que devem ser tomadas, por mais que levem um tempo para se concretizarem, acredito que serão tomadas. Prefiro ser positiva, não deixando de ser realista, mas o fato de autoridades mundiais se reunirem para buscar efetivar algum acordo que benificie o planeta, já é um passo para que ações favoráveis para o nosso planeta sejam de fato concretizadas. Mesmo sabendo que o planeta esta doente em todos os sentidos, não apenas o ambiental. Por mais que muitos acordos ainda não tenham saido do papel, ou melhor, muitas iniciativas ainda não foram tomadas, a cada dia que passa o planeta dá sinais que algo precisa ser feito e que todos temos que mudar: hábitos, maneira de pensar, agir, entre outras que não prezam pela sobrevivência das futuras gerações. Tudo está muito claro e evidente. Se hoje o capitalismo impera no mundo, o que podemos fazer para que "amanhã" possamos beber água potável ou termos alimentos suficientes para nós e para nossos filhos. Sei que muitas ações dependem exclusivamente dos governantes mundiais, mas como o Luiz Rogério comentou acima, devemos fazer a nossa parte, jamais deixar de estarmos atentos com o que anda acontecendo com o mundo em que vivemos, pois ele precisa de nós da mesma maneira que precisamos de tudo que nele contém.

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    1. Concordo com a Débora, temos que ser positivos, tudo que já foi discutido até agora é um avanço para o planeta. Estamos em um processo de mudança e como toda mudança há resistência. Mas devemos fazer a nossa parte, ficar atentos a tudo que acontece no mundo.
      Como professores temos uma chance de passarmos para os jovens tudo isso que estamos discutindo aqui!

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  14. A grande questão ainda continua sendo os impactos na economia que atitudes sustentáveis possam gerar a principio nesses Países desenvolvidos. Nenhum deles quer abrir mão de seus lucros e aplicar em sustentabilidade. A longo prazo país com atitudes sustentáveis na economia, na produção, no comercio, etc, também alcançam bons níveis de PIB e lucros.

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    1. Abrir mão de lucros pode significar perda de poder político, já que os resultados a curto prazo são mais atraentes, agregam pessoas e votos, o que se comprova pelo sucesso dos partidos neoliberais nas eleições no Brasil. É necessa´rio que exerçamos a cidadania, conhecendo as ideias dos partidos quanto à sustentabilidade. Vejamos o caso de Belo Monte e do Código Florestal, que mais parece um código de desmatamento. Tudo sob a bandeira do crescimento econômico e mascarado pelo circo midiático.

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  15. Maria Antônia11/03/12 17:45

    Há mais de uma década a ONU promove encontros para discutir o aquecimento global e estabelecer regras para combatê-lo. De todos, o mais frutífero foi em 1997, o Protocolo de Kyoto. Na época, porém, o documento determinou apenas metas válidas até 2012. Com intuito de traçar os objetivos a serem cumpridos depois desta data, líderes de todo o mundo se reunirão na Dinamarca em dezembro.O Brasil deverá ser a favor de que os países em desenvolvimento também reduzam suas emissões. Esse posicionamento está alinhado com o Plano Nacional de Mudança Climática, que previu, por exemplo, a redução do desmatamento na Amazônia em 70% até 2017 – a atividade é a principal fonte de emissões de dióxido de carbono no país.
    Agora o debate central deve ser sobre a diminuição das emissões de gases causadores do efeito estufa, sobretudo o dióxido de carbono (CO2) – as propostas prevêem reduções de 25% a 40% até 2020, com base em valores obtidos em 1990. O objetivo é bem mais ousado do que o estipulado pela primeira parte do Protocolo, que era de reduzir em 5% as emissões entre 2008 e 2012. Naquela época, o cumprimento desta meta coube apenas aos países desenvolvidos – o Brasil e a Índia, por exemplo, não foram enquadrados na regra. Esta determinação, no entanto, deve ser revista em Copenhague e deve ser outro tema de importância nas discussões.
    Diante disso, podemos perceber que as iniciativas não surgiram o efeito desejado , ainda, mas a semente não se perdeu totalmente no tempo e com certeza irá germinar.

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  16. Do Protocolo de Kyoto (1997) ao COP-15 – Copenhague (2009) podemos dizer que houve sim evolução, pois muitos acordos, conferências, estão sendo criadas para a questão ambiental, porém temos, infelizmente, o impasse entre os países desenvolvidos, e um desses países são os Estados Unidos. A alegação para a não participação é que os compromissos acarretados por tal protocolo interfeririam negativamente na economia norte-americana, pois afirmam que pelo documento apresentado, apenas os países mais ricos e industrializados seriam obrigados a reduzir as emissões, enquanto que países em desenvolvimento não teriam nenhuma obrigação. Pelo acordo, países como o Brasil, Índia e China, que também emitem grandes quantidades de gases poluentes, não seriam obrigados a cumprir nenhuma meta de redução de gases. Assim, é compreensível que países ricos sejam contrários às medidas impostas pelo protocolo e os países em vias de desenvolvimento, defendem o acordo. Lembrando que, os países desenvolvidos abrigam em torno de um quinto da população mundial, ou seja, cerca de 1,2 bilhão de habitantes. No entanto, eles respondem pelo consumo de cerca de 80% de todos os recursos (matérias-primas, energia e alimentos) produzidos ou extraídos da natureza. Apenas duas das maiores potências do mundo, Estados Unidos e Japão, que em 2010 tinham mais de 440 milhões de habitantes (6,5% da população planetária), consomem aproximadamente um terço de todos os recursos naturais do planeta.



    Podemos dizer que, há um envolvimento político para que os países desenvolvidos não aceitem a fazer parte destes acordos, ou seja, não passa de um acordo comercial, cuja base de troca de valores se dá pela mensuração de algumas commodities ambientais. Mas também temos o lado positivo que, a partir do protocolo de Kyoto é que começou a se preocupar seriamente com as emissões de gases, mas pouco foi feito. Apenas países industrializados têm a obrigação de reduzir suas emissões, embora outros, que estão em desenvolvimento não tenham nenhuma obrigação. Portanto o protocolo não está realmente preocupado com o meio ambiente e sim com compensações econômicas a quem não tem o mesmo índice de industrialização do 1º mundo. Enfim, creio que o maior benefício é a importância da necessidade de controle da poluição e de educação ambiental para as pessoas e para o mundo.



    Referências Bibliográficas:

    http://professormarcianodantas.blogspot.com/2011/08/as-conferencias-em-defesa-do-meio.html

    http://pensareco.blogspot.com/2009_11_14_archive.html

    http://www.brazuka.info/protocolo-de-kyoto.php

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Protocolo_de_Quioto

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